Apesar da onipresença dessa palavra mágica, será que o que os espaços e métodos que estamos propondo, e onde estamos participando, podem ser chamados de participativos ? 

Sherry Arnstein, em seu trabalho de 1969, propõe uma escala de oito tipos de participação que representam alguns dos níveis de participação possíveis em processos que envolvem planos, projetos, programas e políticas públicas. A própria autora admite que podem haver dezenas de outros níveis de participação, e que a escala não deve ser tomada como uma progressão evolutiva. Mas acho que esta tipologia ainda pode iluminar nossa prática.  O artigo foi uma indicação do meu amigo, o Doutor Rodrigo de Freitas da Unisul.

Os níveis de participação propostos pela autora são (clique na imagem para ampliar):

 

Em que nível de participação opera o processo onde você está envolvido agora ? Quais seriam os princípios metodológicos rumo à transição para a participação plena e ciência cidadã ?

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Comentário de Rodrigo Rodrigues de Freitas em 26 abril 2017 às 11:28

Atualmente quase todas os diagnósticos ou iniciativas levam a qualificação de 'participativo' e esta escala possibilita avaliar em que nível de participação cada processo se encontra. É possível fazer um paralelo com relação à produção agroecológica, pois atualmente muitos agricultores se denominam sem muito critério. Na agroecologia se fala em transição agroecológica, onde o produtor pode, em analogia aos níveis de participação, se situar em um degrau da 'escada' agroecológica. Essa perspectiva de níveis é extremamente útil para trabalhar com grupos, onde cada um individualmente e o coletivo, podem se identificar com o estágio em que se encontram.

Já participei de dinâmicas em ambas as situações (participação e agroecologia) e os resultados foram muito positivos. O grupo e os indivíduos refletem sobre até onde cada um chegou até o momento e quais as possibilidades e perspectivas futuras. Esse processo pode conduzir a estratégias para se atingir um nível desejado através de análises comparativas que os participantes realizam sobre como cada indivíduo ou grupo atingiu determinado estágio.

Considero importante ressaltar que não se trata de hierarquizar o 'melhor' e o 'pior'. Cada grupo ou indivíduo possui uma trajetória particular e qualquer generalização efusiva conduz a erros de análise. Por exemplo, ao em determinados contextos culturais, de gênero ou de grupo étnico, atingir o nível de consulta pode ser extremamente positivo e representar um ganho astronômico de participação.  

O artigo da Arnstein é muito útil e conhecido. O detalhe é que ela era médica e não socióloga ou cientista política. Seria sua visão de sociedade similar à Durkheim - como um organismo biológico? Neste caso, a noção de estágio de desenvolvimento faz sentido, mas sempre carecerá de um olhar relativista.

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