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Jornal da UNICAMP - Campinas, 04 de março de 2013 a 10 de março de 2013 – ANO 2013 – Nº 552

A usina que faz o lixo desaparecer

"Uma usina que faz o lixo da cidade simplesmente desaparecer. Pesquisa de doutorado apresentada na Unicamp analisa os aspectos econômicos e socioambientais da implantação da WPC – Waste Processing Center, ou Central de Processamento de Lixo – em municípios brasileiros.

(...)

'A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos, homologada em 2010, traz uma revolução em termos ambientais. Os prefeitos não podem mais ficar omissos em relação ao lixo, pois se tornou obrigatória a sua coleta e proibido o seu descarte em lixões', acrescenta o autor, sugerindo que os municípios têm nestas usinas uma ótima alternativa para cumprir as novas normas.

Lucke afirma que a legislação faz uma clara distinção entre rejeitos (aquilo que não pode mais ser processado) e resíduos (o que pode ser reciclado). 'Tudo estava indo para lixões, aterros controlados ou aterros sanitários, que agora devem receber apenas os rejeitos, enquanto os resíduos precisam ter destinação e processamento adequados. A lei também é clara quanto à inclusão social de milhares de pessoas que ganham a vida no lixão, através da promoção do emprego formal, com carteira assinada e demais benefícios. Outro grande diferencial é o incentivo à logística reversa.'

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Sérgio Lucke informa que 12% do lixo gerado nas mais de 5 mil cidades brasileiras deixam de ser coletados; do que é coletado, a metade vai para lixões e aterros controlados e outra metade para aterros sanitários. 'A cidade de São Paulo gera 16 mil toneladas de lixo por dia; em Campinas, são mil toneladas/dia. O que estamos colocando nestes depósitos é um material valioso: recursos e energia. Um cálculo referendado no ano passado pelo Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] é de que o país desperdiça, com isso, aproximadamente 4 bilhões de dólares por ano, aí considerando os recicláveis.'

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Lucke calcula que Campinas, por exemplo, teria 15% a mais de energia elétrica em relação ao que consome, caso contasse com uma usina para incinerar suas 1.050 toneladas diárias de lixo.

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'... nos últimos 15 anos, a evolução tecnológica tornou a incineração o processo mais seguro existente, tanto que o maior nível de emissões das usinas não chega a 20% do valor exigido pelas normas. Há usinas queimando até mil toneladas de lixo por dia, mesmo no centro de cidades como Viena, Osaka e Zurique, sem qualquer problema de odor ou poluição. Um aterro hoje polui muito mais que uma usina.' (...)"

Tese disponível p/ download na SBU: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000905628

Resumo: Nos últimos anos, a demanda total de energia continua a aumentar em escala mundial e a busca por fontes alternativas renováveis tem progressivamente deixado os aspectos teóricos para se transformar em atividade rotineira nos meios científicos e empresariais. O poder e a sobrevivência de nações são cada vez mais colocados em questionamento quando o fator energético passa a ter maior importância na geração de riquezas e no desenvolvimento. A geração de lixo acompanha o Homem ao longo de sua história. Em tempos mais recentes, o crescimento da população e a cultura de consumo e do descartável levaram a níveis críticos os problemas causados pelo enorme volume gerado. Foram estudados aspectos econômicos e sócio-ambientais da utilização de processamento completo tipo WPC do resíduo sólido urbano como fonte alternativa de energia renovável na geração de energia elétrica e da viabilidade de sua implantação pelos municípios nacionais, conforme a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos. 

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