Estou curioso: alguma vez, nas nossas comunidades-iniciativas, você fez uma ação depois de um planejamento bem feito, para obter algo,  e foi surpreendido por uma resposta inexistente, inesperada, ou mesmo contra-produtiva na sua comunidade ?   Ou emergiu algum processo auto-organizado, sem coordenação centralizada ou liderança definida a priori, que realizou maravilhas ?

Observando a evolução histórica da sua iniciativa-comunidade, ela já apresentou mudanças bruscas de estado-regime, algum processo que reforçasse a si próprio, como uma bola de neve

O desafio que proponho é testarmos: faz sentido o reconhecimento que nossas comunidades de sustentabilidade são sistemas complexos adaptativos e reflexivos, e que uma das maneiras de enxergá-lo é como rede social, mergulhada em redes mais amplas e incluindo micro - redes ?. Sim, não, por quê, como ? Quais as características de complexidade que pudemos observar ?

Para investigar isso, proponho começarmos descobrindo as características que distinguem sistemas mecânicos simples de sistemas complexos, e ir checando com o que conhecemos das nossas comunidades-iniciativas.

Sugiro as seguintes apresentações:

Teoria dos Sistemas - Slideshare

Sistemas Complexos - Slideshare

E esta sequência de vídeos, que oferece uma introdução a esta discussão, apresentando algumas características de uma abordagem sistêmica e complexa. Todos eles tem pequenos equívocos, na minha opinião, mas vamos vendo e estudando que vamos saber identificar.

Saber Ciência: Sistemas Complexos

Introdução à complexidade - Fabiano Ribeiro

Panorama Ipea: Sistemas Complexos em Políticas Públicas

Melhor do que estes é a série da Complexity Academy, que está em inglês. Recomendo que todos se aventurem, é possível ativar a tradução automática do youtube e assistir com legenda. Esta série é muito boa.

Complex adaptive systems overview

O link leva para o vídeo de apresentação geral. A partir dele é possível saltar para os outros da série. O primeiro é este:

Complex Systems

Para aprofundar, tem um artigo científico de um pesquisados da ecologia que sintetiza bem alguns pontos desta temática: Holling, 2001 Understanding the Complexity of Ecological, Economica...

Fiquem a vontade para fazer outras pesquisas de imagens, vídeos, textos ou apresentações, a partir de termos gerais como sistemas complexos, complexidade, teoria dos sistemas, teoria de redes sociais, sistemas complexos adaptativos, ciclo adaptativo, métricas de redes sociais, auto-organização, fenômenos emergentes, elos de retroalimentação, não-linearidade. Buscar utilizando uma tradução em inglês é boa idéia também. Se achou algo legal compartilhe conosco nas respostas abaixo.

Levando em consideração que sua comunidade é o seu sistema, vamos lembrar da questão geradora desta discussão: ao longo da história dela ela exibe alguns desses comportamentos ? Os comportamentos complexos dela já desafiaram a aplicação de técnicas e medidas tradicionais de gestão ?

Vamos começar a discussão sobre isso neste tópico de fórum.

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Boa tarde!

Fiquei bem pensativa com essas questões em relação à Cooperativa de Catadores (as) de materiais recicláveis que é a minha comunidade iniciativa. O projeto irá começar efetivamente esse próximo sábado, mas na apresentação do projeto aos catadores (as) e preenchimentos de fichas de inscrição, houve 'burburinhos' que me contaram depois. A Cooperativa tem uma presidente (em Ata) que não se preocupada com questões burocráticas e nem representa a mesma quando necessário. A liderança é outra catadora, que realiza as questões administrativas/burocráticas/representação e que está a frente do projeto e incentivo aos catadores (as) e que fica na sala de administração. A presidente fica com os outros cooperados no trabalho. Fiquei sabendo que ela queria bloquear o projeto (a mesma não irá participar)...e justamente fica com os demais, 'fazendo cabeças'. Não posso e não devo me intrometer nesses problemas internos, a não ser que tenhamos problemas com desistências dos que se inscreveram....vamos sentir conforme andamento. Como agir, caso isso venha a acontecer, apesar que acredito que não acontecerá (não houve mais burburinhos quando voltei novamente à Cooperativa)? OBS: é uma rede de Cooperativa, que internamente tem essas 'separações' de pensamentos, ou seja, outra rede!?  

Carolina achei legal esta pergunta sua:

"OBS: é uma rede de Cooperativa, que internamente tem essas 'separações' de pensamentos, ou seja, outra rede!? "

Fiquei curioso sobre as redes que voce fala. Pra mim faz sentido esta ideia de que internamente, na cooperativa com a qual vocês estão trabalhando, funcionem estas várias redes, meio que sobrepostas. Aí, interagindo com elas, a rede que é formada pela sua organização.

Uma sugestão: tentarmos imaginar os atores e interações que configuram a rede na qual voce atua como participante-facilitadora. Nao é a rede da cooperativa, nem a da sua organização, é meio que uma rede mista, híbrida. É esta a rede com a qual vamos trabalhar em mais detalhe. Um recorte possível para pensarmos em qual seria essa rede é identificar quais seriam os atores que compõe essa rede, e como interagem ( quem com quem, e de que modo) ?

Uma possibilidade de entrada é explorar o que seria uma Rede Social.

Outra seria desenhar a rede, ou melhor, as redes. Fazer um "mapeamento de rede". Seria um desenho mesmo, dos atores e suas ligações.

Bom dia Rafael!

Vamos começar dia 1, sábado agora, aí poderei observar e sentir melhor isso...se foi uma 'precipitação' por conta de preocupação de umas pessoas, mas acredito que tenha fundos de verdade, pois no dia, percebi movimentos. Mas, quero acreditar que as pessoas não se deixarão levar...vão conferir o curso, já que disse que foi feito com carinho para elas. Mas, sim, existem correntes diferentes: 2 'lideranças' a serem seguidas...

Vou pensar na sua questão: atores e como interagem. Volto a falar depois.

Até 

Carolina, procure identificar todos os atores, escreva seus nomes em post its e coloque um papel grande na parede e vá colocando eles conforme seu levantamento  mostrou que interagem ou se agrupam.  Vá agregando informações que consigam caraterizar os grupos que surgirem.  Quantas pessoas são?

Olá, Vivianne!

Há 2 grupos claros. São 28 cooperados(as) inscritos no projeto.

Não sei os nomes ainda (relacionados às pessoas, quero dizer). Fomos uma única vez lá...iremos sábado novamente. Preciso sentir mais um pouco para poder falar melhor.

Oi Rafael e Carolina, temos que considerar várias coisas.

1 - Rafael, não sei que conceito de rede você usa, pois a categoria conceitual rede é utilizada de várias formas e aplicada em diversas situações pelas pessoas. Vejo que nos movimentos sociais usa-se de forma bem generalista.

2 - importante diferenciar algumas aplicações da expressão: a vida social, ou seja a vida interativa, gera redes. Deste ponto de vista, a sociedade é uma grande rede, constituída por inúmeras redes, geradas na interação entre as pessoas. Social = gerado na interação.

3 - no meu trabalho eu uso a expressão rede me referindo a um padrão de organização com determinadas características e qualidades, que o constituem e o definem, então não tem uma aplicação generalista.. Este padrão tem topologias ( topologia se refere a como estão configuradas as interações entre os elementos de uma rede), basicamente: centralizada, descentralizada e distribuídas. Assim, alguma instituições, organizações e comunidades têm um padrão de organização rede e outras não. Muitos estudiosos só consideram como rede aquelas que são mais distribuídas do que descentralizadas e centralizadas, pois apenas nelas acontecem alguns fenômenos como auto- organização, emergências, enxameamentos, que são fenômenos sociais gerados pela interação distribuída e muitas vezes a escala de indivíduos envolvidos faz diferença. As redes dos sistemas vivos são distribuidas.

Cooperativas ou podem ou não ser redes, dependem de como estão configuradas as relações entre seus membros, as regras, a gestão, o fluxo da comunicação, mas normalmente são estruturas centralizadas, pois o desenho proposto pela lei é representativo, com presidente, e outras estruturas burocráticas que dificultam a horizontalidade. A cooperativa também pode ser abordada pelo conceito comunidade. Então o primeiro passo seria ver que tipo de comunidade é a cooperativa, identificando como funciona e seus fluxos de comunicação. Importante ter uma boa visão do contexto onde funciona. Também ter uma visão de como chegou à estrutura atual, já que a estrutura atual de um organismo sempre é resultado de uma evolução temporal num dado ambiente. Sempre tem uma.história.

Este assunto das redes é complexo e amplo, prefiro tratá-lo no grupo do programa. Acho que logo vamos começar lá, não é?

Mas por ora acho que este texto pode  contribuir com alguma coisa. É sobre redes descentralizadas. 

Neste outro eu reflito sobre a questão das topologias.

abraços

Bom dia!

Vou investigar melhor a história da Cooperativa, sei de alguns pontos desconexos. A horizontalidade ali realmente é muitoo difícil, ainda mais que há no papel uma presidente, e na prática, uma liderança que faz tudo...

Bom, deixemos para o grupo do programa!

Abços! 

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