Potencializando nossas redes na atuação socioambiental

Conectados todos estamos e sempre estivemos. Mas, tendo em vista nossa atuação profissional e social, como ampliar e cultivar conexões significativas ? Que comportamentos podem contribuir na ampliação e fortalecimento de uma rede profissional que traga resultados ?

Na ciência das redes, os indivíduos ou organizações que interagem são denominados nós, e as conexões que estabelecem são ligações.Ter uma rede profissional ativa, distribuída (não-centralizada) e resiliente (capaz de recuperar-se após a perda de atores ou ligações) possibilita ter acesso a oportunidades de trabalhos, capacitações, atualizações, eventos e recuperar-se rapidamente de mudanças (demissões, finais de projeto, mudanças no mercado ou simplesmente desejo pessoal de mudança). Que fatores contribuiriam para uma rede assim ?

Acredito que uma lista mínima de fatores poderia incluir:

Clareza de propósito: conectar com quem, para quê ? Como nossa capacidade de interação é grande, mas limitada, é fundamental ter claras a área temática dos nós e redes que nos interessam. Isto é diretamente ligado ao nosso projeto profissional, que por sua vez é parte de nosso projeto de vida.

Disposição em interagir - O principal nó da nossa rede somos nós mesmos. Para ativar nossa rede o primeiro ponto é um posicionamento generoso para com as ligações que já temos: Guardar informações para si mesmo, restringir o fluxo de informações da rede "segurando" conteúdos, eventos ou outras oportunidades lentamente vai prejudicando e paralisando nossas funções na rede. Em um mundo onde a informação e os recursos são abundantes, a estratégia de segurar informação e obstaculizar fluxos não é vantajosa.

Número adequado de nós, ligações e afinidade - Uma rede ativa depende de um número adequado de ligações com nós de diversos tipos, que mantenham afinidade com o nosso propósito. Se nossa área de interesse é a educação ambiental, de nada vale manter conexões com muitos nós relacionados a resíduos sólidos ou sustentabilidade em geral. É preciso buscar a acessar nós relacionados à educação ambiental, de diferentes tipos (universidades e grupos de pesquisa, empresas, profissionais, eventos, redes de informação). É útil avaliar qual o número de ligações que mantemos com cada tipo de ator, para avaliar possíveis vulnerabilidades na nossa rede.

Cultivar nós efetivos - À medida que buscamos e acessamos potenciais nós somos capazes de observar como estes nós respondem aos nossos estímulos: resposta positiva, negativa, ou sem resposta. Como nossa capacidade de cultivar relações é limitada, é importante considerar como os nós estão respondendo, tendo em vista nosso propósito e campo de atuação.

Não confiar demais em nós preferenciais - Por mais que tenhamos nossos parceiros, fornecedores, clientes e escolas de "confiança", nos restringirmos a um número pequeno de ligações com um determinado tipo de ator poupa esforços, mas nos torna vulneráveis. Em um ambiente profissional em constante mudança, isso é perigoso.

Conectar-se a grupos específicos nas redes sociais, e cultivar estas relações - As redes sociais oferecem uma oportunidade incrível de ampliar e ativar nossas conexões. Porém, o avassalador número de conexões possíveis torna a busca por redes específicas muito importante. Localizar e acessar grupos específicos em redes sociais ou profissionais como Facebook, LinkedIn, Ning, WhatsApp e outras é fundamental. O conjunto total de amigos ou conexões que voce possui nas suas redes é importante, mas dificilmente vai possibilitar uma rede ativa e resiliente o suficiente.

Dedicar-se e aprofundar-se em conexões significativas - em um ambiente hiper-conectado como o de hoje, é muito fácil perder-se por não conseguir aprofundar as conexões que estabelecemos. Mais uma vez, selecionar e cultivar relações, dando o tempo e o investimento necessário para que elas se aprofundem, ajuda a escapar da superficialidade nas relações.

Estar preparado para ser surpreendido - É muito difícil prever o comportamento de redes complexas. Por isso é preciso estar atento e sensível a oportunidades e processos que podem emergir espontaneamente a partir das interações em nossa rede. Podem surgir parceiros, serviços ou ideias surpreendentes.

Desapegar-se das ideias de controle e hierarquia - No ambiente de abundância de informações, recursos e mudanças de hoje, redes altamente centralizadas e controladas estão fadadas à paralisia e degeneração. Em uma rede distribuída, não é possível nem desejável assumir papéis a priori ou caminhos preferenciais de informação e controle.

Faz sentido para você? Quais seriam outros fatores que poderíamos adicionar a esta lista ?

PS: mais sobre isto, e com mais detalhes a Escola de Redes criada por Augusto de Franco, e o excelente texto de Viviane Amaral ( em anexo ) , consultora e "tecedora de redes"  que temos o privilégio de ter conectada à nossa Rede Catalise !

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OLá Rafael, tudo bem. 

Não consegui captar com clareza o significado de Número adequado de nós, ligações e afinidade. 

abraço

Acho que a ideia é que para potencializar as funções que a rede provê a um dos atores (nós), o numero de nós aos quais ele está conectado, bem como o tipo de ligação, importam. Assim como também importaria um bom equilíbrio entre afinidade entre estes nós ( similaridade de propósito, escala ou nível de organização) e diversidade (atores-nós de distintas escalas, niveis de organização e propósito, por exemplo). Fará sentido ?

Adorei re-encontrar este texto de minha autoria, já antigo.  Uma coisa que acho essencial para quem quer trabalhar com redes e em rede é conhecer a fenomenologia da interação para entender o que está acontecendo na rede e, se for o caso, fazer intervenções mais adequadas. Compartilho um texto  onde  trato deste  tema (ou temas) de uma forma simples e penso que pode contribuir na conversa.

abraço

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